quinta-feira, 17 de agosto de 2017

ALOQUEZIA


Sendo santo o povo que vê, ou seja, o sujeito, é também santo o governante que é o objeto visto. Por isso, quando a natureza santa do sujeito (povo) que vê fica encoberta, turva e erra o alvo (não age conforme a Vontade de Deus), o santo caráter dos governantes não se manifesta por ficar encoberto e eles erram o alvo.¹


Política espuria y hambrienta
Pueblo que no expulsa político caudillo
Es porque gran diablo no expulsa diablillo
Es Mateo doce con veinticuatro al treinta

Leitura do poema pelo autor no endereço:

Mateus doze com vinte e quatro ao trinta
E
Mateus vinte e quatro com cinco mais o seis
Não se enganeis
O que se diz Messias
Deixará muitos de mãos vazias
Este que se chama Messias
Quem nele crê é cabeça-aloquezia
Use o cérebro, não seja avaro
Recuse Jair Messias Bolsonaro

Nossa
Fiquei confuso
Que poema mais obtuso
Parece uma fossa
O que quis dizer
Vamos, justifique

Quer que explique
Cuidado para não morrer
Pois política espúria e faminta
E
Povo que não expulsa o Michel T medroso
É porque Capeta não expulsa Tinhoso
Eis Mateus doze com vinte e quatro ao trinta


¹ Livre adaptação de trecho da Revelação Divina da Identificação Entre o Governante e o Povo. Do livro Revelações Divinas, de Masaharu Taniguchi. São Paulo: Seicho-No-Ie do Brasil, 2012.

Aloquezia = Substantivo feminino e termo médico; evacuação das matérias fecais por um ânus artificial ou outra abertura acidental dos intestinos. (Dicionário de Português, Dici. Versão 1.3.3).

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito na manhã de 07 de agosto – mês do bom gosto – de 2017 e trabalhado até o dia 17 do mesmo mês e ano.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Um miniconto sobre uma otimista



No restaurante universitário de uma Universidade pública, uma moça comentava com sua namorada:
– Vamos sentar aqui, pois dá pra fugir se precisar. – Disse, referindo-se a uma cadeira que dá para o corredor entre mesas.
– Oxe, mas e ali? Quando senta imprensada ali também dá pra fugir? – Perguntou a namorada de volta, apontando para outro lugar onde a interlocutora também costuma sentar, encostada a uma parede, distante do corredor.
– Ali estou encostada na parede. – Responde.
– E?
– Ninguém me pega por trás.
– E aqui?
– Já falei que dá pra fugir.
– Oxe.

– Eu olho o lado bom das coisas.






SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista, novelista, cronista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com









quinta-feira, 10 de agosto de 2017

CASTANHEIRA VERMELHA


Leitura do cronto postado no canal aRTISTA aRTEIRO:


- Uzadólatra iuzisprita num cunhéci Deus. Porisso Deuzitá adiantânu a vorta dijizuis prassarvá uzcrênti nussinhô. – Não pausa nem um segundo para mudar o tema e: A Bíbria dízi “prassêmpri”, máizi prassêmpri num é eterno, pôissó Deuzeterno.
Finalmente o ônibus. Dentro, meia hora que parece hora inteira. E se não aparenta mais é graças às árvores floridas no caminho. Chego ao ponto e desço.
Depois de andar e finalmente chegar aonde queria eu vejo um braço que leva à boca – um atrás do outro – cigarros. Nele, a tatuagem: “Perdão, Luíza e Mãe”. Não sei o motivo da tatuagem. Mas motivos me bastam o de Cecília. Não sei se sempre, mas hoje é o que preciso. E quero. Motivos.
O braço não me fala o motivo da tatuagem; no lugar disso, tendo a ver ou não, reclama do pouco dinheiro e lamenta a profissão que detesta.
- Professora eu sou; mas o que eu queria era ser policial, bombeira ou outro cargo. – Silêncio de segundos. – Está doendo muito aqui. (Aponta entre a coxa e a cintura.) Derramei água fervente quando passava o café. A sorte é que eu usava bermuda de tecido grossão.
De novo no ponto para a casa e na rua atrás uma castanheira carregada de folhas vermelhas.

Foto do autor. Centro de Ipatinga.
Ela faz o que não quer. Políticos fazem o que... não querem? Refletindo, sento-me debaixo da castanheira vermelha e leio:
Estavas, linda Inês, posta em sossego, serenamente vivendo a alegria e os sonhos naturais na tua idade. (...) Assim, também o teu Pedro está eternamente entregue ao seu amor por ti. (...) O velho e bravo Afonso IV, pai de Pedro, dando ouvido aos intriguistas do povo, decide tirar a vida de Inês. Acredita que matando Inês, mata também o amor ardente de Pedro. (...) Ela, sofrendo já pelo seu príncipe e pelos filhos, mais do que pela própria morte, deita os olhos cheios de lágrimas aos seus meninos. (...) O rei queria perdoar-lhe, mas o povo não se calava. Cumpre-se a morte de Inês. / Pedro continuou a amá-la para lá da morte, e quando se tornou rei, mandou que o corpo de Inês fosse sentado no trono; e ali, depois de morta, a fez rainha.¹
- Mas agora Inês é morta e o povo faz o que precisa para sobreviver ou o faz por ignorância. Políticos, para não perderem o poder.
Penso em voz alta enquanto Camila Oliveira e uma sua amiga, que se aproximam ao som de minha não tão bela voz, rebimboa-me:
- Todo povo merece o governo que tem. Pois a voz do povo nuuuuunca foi a voz de Deus. Só lamento aos aposentados de Ipatinga. Muitos meses sem receber e o prefeito dança orgasmático ao sofrimento popular. Mas é o povo colhendo o que plantou.
- Não, Camila. O povo não merece isso. – Contesta Dulira – O povo não é esclarecido. Se na época da campanha certas pessoas em vez de pedir voto para o “chapeludo do capeta” falassem a verdade sobre ele, teria sido evitado tanto voto.
- Olha! – intervenho – Eu falei bastante a verdade e toda gente com que convivo falou incansavelmente a verdade. Mas o povo faz sempre a escolha do que lhe será maléfico. Ah! “O povo não é esclarecido...” Você diz. Não é esclarecido, ou seja, não está no claro por escolher as trevas. Sim, a mídia e os poderosos são culpados de propor a escuridão enquanto os artistas, os escritores, os pensadores, os professores propõem a luz. E o que o povo escolhe? As trevas! Então o povo é culpado de escolher a ignorância por ser comodista.
Um ventinho passa sobre nós e Camila continua:
- Tudo estava escancarado até na mídia e o povo escolheu Barrabás. Como também podem repetir optando por Bolsonaro em 2018.
Apesar de ainda envolvidos pelo vento e pela castanheira vermelha, Dulira dispara: “Mas no Ceará o povo recebeu o Lula com gritos de Ladrão.” E Camila não para:
- Povo? O povo? Pode ter sido recebido pelo povo que elegeu Collor; que grita ladrão mesmo com provas em contrário... Povo que se cala com o fim dos direitos gratuitos ao estudo. Povo que acha absurdo quando falamos: Vai estudar. Povo que é pato.
- Rirrerrirrê. Vocês dois devem está morando em outro país. O cara já tá condenado. O povo que se sentiu lesado pelas trocas de bolsa isso e bolsa aquilo para ficar no poder e acabar com o país tem direito de gritar sim: LADRÃO! LADRÃÃÃO!
- Huuuum. Acho que vivo no Brasil mesmo. E pelo que me lembro das aulas de História, de Geografia, de Literatura a corrupção não é recente no país. Como é comumente fantasiada. Aqueles que dizem saber isso e ainda assim culpam um partido é porque não estão refletindo; no máximo estão pensando. Mas isso é coisa que até os meus cachorrinhos fazem... Todavia, é necessário ir além disso e refletir, filosofar.
Camila continua e Benito completa. Tudo com o vento nos acariciando e castanheira vermelha nos embelezando.
- Por que a corrupção é tão visível durante governos de esquerda? Por motivo simples: Não esconde; não segue o dito “me engana que eu gosto” porque isso é coisa de direita fazer. E...
- Você diz isso porque é petralha, poeta e traveca.
- Não, não sou de nenhum partido assim como não acredito em nenhum político. Porém, não costumo “simplorizar” a vida como a crença ingênua de que a demonização é a solução e...
- Acho que ela te comparou a Federico... Quanta honra. – Benito interrompe – Quando Federico García Lorca foi assassinado proclamaram que era por ser ele “rojo, poeta y maricón”, vermelho, poeta e viado.
- Realmente, é uma honra. Mas continuando: Demonizar não é solução. Isso é coisa de direita dizer e “pobre de direita” crer; aliás, “pobre de direita” é um dos mistérios da vida... Como alguém pode acreditar naquilo que lhe corrói?
- Ah! Como amo História e Literatura. Machado de Assis não era a favor da República; não por detestá-la e sim porque sabia que o povo não estava naquela época, e não está hoje, pronto para a responsabilidade. Ele “profetizou” os “pobres de direita”.
- E...
- E agora chega. Porque a discussão está virando apenas palavras jogadas fora. E eu prefiro o vento ao vão, a árvore ao arvela.


Diquinhas de português:
A ver e haver:
Quando quiser dizer que algo não tem relação a outro, use “a ver”. É uma expressão formada pela preposição “a” e o verbo “ver”, geralmente associada ao verbo “ter”: ter a ver com.
O verbo “haver” surge quando alguém precisa receber dinheiro de alguém ou recuperar algo que perdeu: “Preciso haver meu dinheiro”. Use ‘ter a haver’ no sentido de ‘ter a receber’ ou com sentido de ‘existir’, de ‘ter’, de ‘acontecer’, de ‘ter passado’, entre outros sentidos.
Compare:
Ana tem tudo a ver com as coisas que aconteceram. (As coisas que aconteceram têm relação com Ana).
Ana não tem nada a haver. (Ana não tem nada para receber de ninguém).
Fontes de pesquisa:
DÚVIDAS DE PORTUGUÊS. Nada a ver ou nada haver. Disponível https://duvidas.dicio.com.br/nada-a-ver-ou-nada-haver/ Acesso 17 Jul 2017.
EM PORTUGUÊS CORRE(C)TO. A ver ou haver. Disponível http://emportuguescorrecto.blogs.sapo.pt/41899.html Acesso 17 Jul 2017.
VILARINO, Sabrina. Tem a ver ou tem haver. Disponível http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/gramatica/tem-ver-ou-tem-haver.htm Acesso 27 Jul 2017.

¹ CAMÕES, Luís Vaz. Canto III, Pedro, que amava Inês, que amava Pedro. Os Lusíadas. Rio do Mouro: Girassol Edições Ltda, p. 46.

 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Cronto partindo de dois manuscritos meus. Um manuscrito registrando no dia 07 de abril de 2017 as ideias de um senhor em um ponto de ônibus no Centro de Ipatinga; tendo atrás e à minha direita o busto de José Júlio da Costa. Outro manuscrito registrando no dia 12 do mesmo mês a fala de uma jovem senhora; tendo à minha frente uma árvore seca. E, finalmente, trabalhando o texto em minha casa entre os dias 01 a 10 de agosto do mesmo ano; tendo ao meu redor os meus cachorrinhos: Vitório, Federico e Florbela. E eu ouvindo Maria Bethânia cantando e recitando Não Mexe Comigo: https://www.youtube.com/watch?v=wgMgoJV_AmU

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

MINHA JANELA

MI VENTANA
Busto homenageando o 2º Presidente na Ditadura Militar brasileira
E eu pergunto: Como? Como podemos homenageá-lo?
Foto do autor - Ipatinga MG


Em português

Olho para minha janela
Sua transparência
Não é eficiência
Fora não há uma só panela

Olho para minha janela
Trevo de quatro folhas em um vasinho
La fora o imenso intelectual vazio
E ninguém me olha através dela

Olho para minha janela
Eu não me silencio
Enquanto o povo silêncio

Olho para minha janela
Quero calar-me
Mas dou alarme


En español

Miro mi ventana
Su transparencia
No es eficiencia
Política es arana

Miro mi ventana
Trébol de cuatro hojas en una maceta
Fuera la población intelectual zurreta
Me mira toda truhana

Miro la ventana
No me silencio
Mientras el pueblo silencio

Miro la ventana
Me quiero callar
Pero voy a cuchillar


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).

Escrito na madrugada de 03 de agosto de 2017, no dia seguinte à tristeza: Câmara rejeita denúncia contra Temer [02-8-2017 – Foram 263 votos “sim” (para rejeitar a denúncia), 227 votos “não” e 2 abstenções]

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Desintoxicação Forçada




Enquanto mastigava um pedaço de pão que havia molhado no leite, a fechadura fez aquele barulho característico, de quando a chave é girada, Jeferson olha para a porta e estranha:
–  Ora, ninguém sequer vem aqui, avalie ter a chave.
A maçaneta girou, a porta abriu, a surpresa foi tamanha que Jeferson derruba o pão que segura em seu colo, que ficou todo sujo de cascas.
Um médico atravessa a porta, de jaleco e tudo.
–  Com licença, desculpe o atraso, o trânsito estava igual tripa de velho com prisão de ventre... Rapaz, aquilo não andava.
–  Mas você, quem é? Isso é alguma piada? – Retruca Jeferson, um tanto alterado.
A porta bate.
– Ora, seu problema é muito sério, pode ser contagioso. – Coloca o médico, puxando a cadeira e sentando-se a mesa, de frente para Jeferson.
– Não sinto nada. – Responde Jeferson.
– Negação é o primeiro obstáculo. – Responde o médico, apertando o botão de uma caneta e anotando no papel.
– Negação? Não estou doente, sinto-me muito bem.
– Seus vizinhos tem medo de seu problema.
– PROBLEMA?! – Coloca Jeferson, exaltando-se e levantando da cadeira no calor do momento.
– Sim, você está viciado em sua própria casa. – Responde o médico calmamente, sempre anotando em um bloco.
– Viciado em minha casa?!
– Ora, sim, seus vizinhos o temem, dizem que não sai, que não dança, não curte a vida... Dizem que chega em casa do trabalho, fecha a porta e fica aqui e, no final de semana, tranca-se aqui todo o tempo. O vício é nocivo e está afetando  as pessoas que te rodeiam.
– Eu me sinto bem aqui, ora!
– Sei que o efeito é bom, mas não seja egoísta, é preciso viver em sociedade...
– Eu vivo em sociedade, só gosto de ficar na minha, no espaço que posso controlar.
– Uhum, esse seu vício gera sua mania por controle.
– Mas o que?
– Negação mais uma vez. – Afirma o médico, pondo na ponta do papel.
– Seus amigos, suas amigas, já fizeram intervenção com você, que não muda.
– Eu não quero mudar! – Exclama Jeferson, batendo na mesa.
– Bem, então terá de ser desintoxicado, se tornou uma ameaça a sociedade.
– O que?!
– Rapazes!
A porta se abre mais uma vez e dois brutamontes entram, rodeiam a mesa e seguram Jeferson pelos braços, que se chacoalha, se bate, mas não se equipara a força dos dois, eles o levantam e o jogam na calçada, através da porta. Atrás dele a porta se fecha. Jeferson corre até a porta fechada, a empurra, gira e puxa a maçaneta, mas está trancada.
– ABRAM A PORTA! – Grita, confuso e desesperado.
Em vão, a porta permanece fechada...
Jeferson vira-se, depara-se com um número absurdo de transeuntes, indo e vindo, sem preocupar-se uns com os outros, vivendo em suas próprias cabeças.
Jeferson começa a suar, suas mãos tremem.

“Desintoxicação” forçada.



SUED

Nome artístico de Línik Sued Carvalho da Mota, é romancista, novelista, cronista e contista, tendo dois livros publicados, também é graduanda em História pela Universidade Regional do Cariri. Militante comunista, acredita no radicalismo das lutas e no estudo profundo de política, sociologia, História e economia como essenciais para uma militância útil.
Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às segundas-feiras.
Contato: lscarvalho160@gmail.com










quinta-feira, 27 de julho de 2017

A POESIA BROTA DA RUÍNA

LA POESÍA BROTA DE LA RUINA


If every poetry were my fragment to you
Would do me your eternal poetry

Em português

“Todo coração é uma célula revolucionária”
Se toda poesia fosse um pedaço de mim para você
Faria de mim sua eterna poesia
Faria eu de poesia
Faria eu de lírios


En español

“Todo corazón es una célula revolucionaria”
Si toda poesía fuese un trozo mío a tú
Haría de mí su eterna poesía
Haría yo de poesía
Haría yo de lirios


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Manuscrito não sei quando, mas encontrando entre minhas bagunças na tarde de 15 de julho de 2017. E trabalhado entre os dias 20 e 27 de julho deste mesmo ano.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

KAFKA



A leitura do poemeto pode ser vista no canal aRTISTA aRTEIRO do youtube:

Em português

Penso em uma barata...
Mas poderia ser um besouro.  
Porém primeiro penso em uma barata.
Todavia é um corvo.

É Na Colônia Penal
Que vejo na estranha máquina de execução
Não a causa de nossa condição essencial
Mas as particularidades maquinais da pena de vida.

Nem todo branco é alvo
Na sociedade que inaperfeiçoa
E visa aperfeiçoar pessoa
Tornando todo negro alvo.

E os rios, as matas, as águas
Cada índio nada...



En español

Pienso en una cucaracha…
Pero podría ser un abejorro.
Pero, primer pienso en una cucaracha.
No obstante es un cuervo.

Es en la Colonia Penal
Que veo en la rara máquina de ejecución
No la causa de nuestra condición esencial
Pero las particularidades maquinales de la pena de vida.

Ni todo blanco es blanco
En la sociedad que no perfecciona
Y visa perfeccionar persona
Cambiando todo negro blanco.

Y los ríos, las matas, las aguas
Cada indio nada.


 Rubem Leite é escritor, poeta e crontista. Escreve ao Ad Substantiam semanalmente às quintas-feiras; e todo domingo no seu blog literário: aRTISTA aRTEIRO.  É professor de Português, Literatura, Espanhol e Artes. É graduado em Letras-Português. É pós-graduado em “Metodologias do Ensino da Língua Portuguesa e Literatura na Educação Básica”, “Ensino de Língua Espanhola”, “Ensino de Artes” e “Cultura e Literatura”; autor dos artigos científicos “Machado de Assis e o Discurso Presente em Suas Obras”, “Brasil e Sua Literatura no Mundo – Literatura Brasileira em Países de Língua Espanhola, Como é Vista?”, “Amadurecimento da Criação – A Arte da Inspiração do Artista” e “Leitura de Cultura da Cultura de Leitura”. É, por segunda gestão, Secretário da ASSABI – Associação de Amigos da Biblioteca Pública Zumbi dos Palmares (Ipatinga MG). Foi, por duas gestões, Conselheiro Municipal de Cultura em Ipatinga MG (representando a Literatura).


Escrito na manhã de 28 de junho de 2017; inspirado na vídeo-aula “Literatura: dizer sobre o mundo, dizer sobre o dizer” da disciplina Literatura Comparada do curso de pós-graduação Cultura e Literatura, ministrada pelo professor Paulo A. Suethe; pela faculdade de Educação São Luís. E trabalhado entre os dias 15 e 21 de julho do mesmo ano.